Pedro Sernagiotto (Ministrinho)

De Porcopedia - A Enciclopedia do Palmeiras

MINISTRINHO
Ministrinho
Informações pessoais
Nome Completo Pedro Sernagiotto
Data de nasc. 17 de novembro de 1908
Local de nasc. São Paulo (SP), Brasil
Data de falec. 5 de abril de 1965
Altura
Peso
Apelido Ministrinho
Informações profissionais
Posição Atacante
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (gols)
1927-1931 Palmeiras
1931-1934 Juventus
1934-1935 Palmeiras
1935 Portuguesa
1936-1939 São Paulo 66 (13)
1941-1943 Palmeiras
Seleção nacional
Anos Seleção Jogos (gols)
1929-1931 Brasil 3
Títulos
Anos Clubes Campeonato
1933 e 1934 Juventus-ITA Italiano

Pedro Sernagiotto, o "Ministrinho", foi um futebolista brasileiro e um dos mais importantes jogadores da história do Palmeiras no período em que a equipe se chamava Palestra Itália. Ponta-direita, em 1929, foi considerado o jogador mais popular da cidade de São Paulo, por meio de uma votação promovida por um jornal da época.

Tabela de conteúdo

Biografia

Chegada ao Palestra Italia

Ministrinho

Filho de imigrantes italianos, Ministrinho nasceu e cresceu na região central da capital paulista, nas proximidades da Rua Augusta, local onde teve, na infância, seu primeiro contato com a bola de futebol. Ainda menino, participava das peladas que aconteciam nos tradicionais campos de várzea da região – que eram muito comuns no período. Logo, Ministrinho se destacou dentre os demais colegas e chamou a atenção de “olheiros” do Palestra Italia, que o levaram para integrá-lo nas categorias inferiores de futebol do clube.

Ao chegar ao Palestra Italia, o jovem talento recebeu do diretor de esportes Ítalo Bosetti o apelido de Ministrinho, pois sua postura e maneira de jogar futebol lembrava muito o já consagrado Giovanni Del Ministro, que também atuava na ponta direita (este porém, já defendia o quadro principal há muito tempo). Fazendo valer o apelido, o garoto seguiu os passos de Ministro rumo ao sucesso. Atuou pela equipe infantil, juvenil e pelo segundo quadro, ganhando todos os títulos e condecorações possíveis. Para que Ministrinho se integrasse à equipe profissional do Palestra era apenas uma questão de tempo, e não demorou muito.

A estreia no time principal

No dia 13 de novembro de 1927, Ministrinho finalmente realizava sua primeira partida no time principal em um jogo amistoso diante do Americano de São Roque. O duelo foi disputad no estádio Parque Antártica, e o Palestra Italia venceu o prélio por serenos 6 a 2. O jogo não poderia ser mais lisonjeiro para o estreante, que, além de participar ativamente da goleada, teve também a oportunidade de marcar um dos gols.

Apesar da boa atuação na estreia, a titularidade foi conquistada somente no ano seguinte, em 1928. A cada partida disputada, o jovem atleta deixava claro que não era um jogador comum, pois, aos olhos da comissão técnica, tratava-se de um atleta veloz, habilidoso, oportunista e com muita visão de jogo.

Titular absoluto

Em 1928, o ponta-direita tornava-se campeão pelo segundo quadro do Palestra e simultaneamente integrava o quadro principal, no qual havia praticamente ocupado a vaga de titular. Naquele ano, houve um amistoso contra o arquirrival Corinthians, cuja renda foi doada para as vítimas da tragédia do Monte Serrat, em Santos. O Palestra Italia venceu o embate por 1 a 0, com um gol de Serafini. Ministrinho, por sua vez, entrou em perfeita sintonia com o elenco.

Muito querido pela diretoria palestrina e por seus companheiros de time, a revelação logo caiu nas graças da torcida. Em pouquíssimo tempo sua popularidade elevou-se intensamente, a ponto de ser convocado em 1929 para defender as seleções Paulista e Brasileira.

Seleção Brasileira

Para enfrentar o Rampla Juniors, do Uruguai, em uma partida amistosa, a CBD (atual CBF) pediu apoio da APEA (atual FPF) para compor o elenco nacional, que seria formado apenas por jogadores que atuavam em São Paulo e no Rio de Janeiro. A APEA, por sua vez, deixou a disposição da CBD um total de nove atletas, sendo três do Corinthians, um do Independência e cinco do Palestra Italia, entre eles, é claro, Ministrinho.

O Rampla Juniors não era um adversário qualquer, pois o time contava com diversos membros da Seleção Uruguaia que fora bicampeã olímpica (1924 e 1928). Durante a tensão da partida, os uruguaios mostraram sua força e não cederam espaço para que o Brasil pudesse crescer no jogo. Quando o placar registrava empate por 2 a 2, Ministrinho surgia da maneira mais enfática, sendo chamado pelo treinador Laís para entrar no lugar do ponta Paschoal – jogador do Vasco da Gama que já atuava na Seleção Brasileira desde 1923 e era ídolo dos cariocas. Em pleno Rio de Janeiro, Ministrinho chamou a responsabilidade para si, mesmo sendo vaiado pelos torcedores que preferiam o “velho” Paschoal no time. Entretanto, o que ninguém imaginava é que a concepção de todos os espectadores presentes no prélio em relação ao jogador iria mudar drasticamente.

Após a entrada de Ministrinho, a equipe brasileira de fato melhorou muito taticamente, ganhou mais velocidade e chegou a assinalar mais dois tentos, conquistando até aquele momento a vitória parcial por 4 a 2. Com o placar confortável, sobrou tempo para que Ministrinho esbanjasse suas habilidades. Com dribles desconcertantes, o craque passava no meio de três, nenhum beque conseguia detê-lo. Com sua categoria, Ministrinho até parecia ter a experiência de um veterano, no entanto, com o condicionamento físico de um garoto.

Nos derradeiros minutos da partida, brilhou também a estrela de outro palestrino. Heitor Marcelino Domingues, o maior artilheiro da história do Palmeiras de todos os tempos, assumiu a camisa número um, ficando no lugar do goleiro Jaguaré, do Vasco (que já havia substituído o goleiro Amado, do Flamengo). O goleiro Jaguaré sofreu uma contusão e, por este motivo, só voltou a atuar na seleção meses depois, em junho. De imediato, indicaram o artilheiro Heitor para assumir o arco brasileiro, mesmo porque o Brasil não precisava mais fazer gols e, sim, não sofrer. Curiosamente, o plano surtiu efeito, pois Heitor, além de ser habilidoso com os pés, tinha também a mesma desenvoltura com as mãos – o craque havia sido campeão de basquete um ano antes pelo Palestra. Segundo relato de familiares, o eterno ídolo palestrino media cerca de 1,90m. Mesmo com um jogador a menos, o goleiro Heitor não sofreu gols e conseguiu manter os mesmos 4 a 2 de minutos antes.

Ao apito do árbitro Afonso Teixeira de Castro que indicava o término da partida, os torcedores aplaudiram de pé os heróis “canarinhos” com o mesmo entusiasmo que aplaudiram Ministrinho quando perceberam que havia surgido mais um craque na posição. A cada passada, a cada drible e a cada chute na bola, Ministrinho conseguia impressionar a torcida, e os aplausos não foram para menos.

É inevitável mencionar este belíssimo episódio da história de Ministrinho sem mesmo compará-lo aos minutos de tensão que foi vivenciado da mesma maneira (décadas depois) por seu sucessor de posição, Julio Botelho – este foi escalado pelo técnico Vicente Feola para atuar no lugar de Mané Garrincha em 1959, em uma partida entre Brasil e Inglaterra. Muito vaiado por mais de 100 mil no Maracanã, aquele jogo, que para Julinho Botelho mais parecia ser um espetáculo de horrores, transformou-se em uma das mais preciosas pérolas do futebol. Naquele dia Julinho só não fez chover.

Pela Seleção Brasileira, Ministrinho jogou em 1929, 1930 e 1931 sob comando dos treinadores Laís, Píndaro de Carvalho e Luís Vinhaes, respectivamente.

Campeão brasileiro pela Seleção Paulista

A boa atuação no clube e na Seleção Brasileira rendeu a Ministrinho, naquele mesmo ano de 1929, a convocação para a Seleção Paulista. No período em que Ministrinho era jogador, o Campeonato Brasileiro existia não da maneira que conhecemos hoje.

Os principais jogadores de cada região eram convocados pela federação local para formarem uma seleção/combinado regional: Seleção Paulista, Seleção Paranaense, Seleção Carioca, Seleção Gaúcha etc. As seleções deveriam se enfrentar em caráter eliminatório até que surgisse o time campeão brasileiro.

Atuando pelo Combinado Paulista, Ministrinho uniu-se a jogadores legendários dos maiores clubes de São Paulo, entre os quais estavam alguns de seu próprio Palestra, como Heitor, Bianco, Gogliardo, Amilcar e Serafini. Grandes jogadores renomados que pertenciam a outras equipes também ajudaram a compor a Seleção, como, por exemplo, Petronilho de Brito (Independência) e Armando Del Debbio (do Corinthians e que mais tarde viria a ser um dos maiores treinadores do Palmeiras).

Integrado ao supertime que contava com jogadores de nível de Seleção Brasileira, Ministrinho manteve o brilho de sua estrela participando de jogos decisivos e marcando gols importantíssimos, consagrando-se assim campeão brasileiro de 1929.

O primeiro adeus e o novo rumo

Ministrinho com a camisa da Juventus, terceiro da esquerda para direita

A carreira esportiva de Ministrinho estava em ascendência constante. Após o estouro do craque nos anos de 1928 e 1929, o ponta-direita permaneceu no Palestra Italia até meados de 1931, quando deixou o Brasil a procura de novos horizontes. Sua última partida pelo Palestra Italia foi um amistoso diante do poderoso Ferencvaros, da Hungria, então campeão da Europa Central. O Palestra Italia trucidou os húngaros, vencendo o prélio por 5 a 2. O detalhe é que o campeão da Europa Central já havia vencido grandes equipes no Brasil, como a própria Seleção Paulista dias antes. Nesta goleada, que aconteceu no dia 6 de julho de 1931, Ministrinho marcou um gol como forma de gratidão e despedida.

O craque recebeu uma proposta para jogar no futebol italiano, onde defenderia a Juventus, de Turim. Ministrinho aceitou a oferta e foi para a Itália. Ao conhecer as dependências do clube e se familiarizar com p novo ambiente, foi erroneamente orientado a assinar dois contratos. O equívoco lhe impediu de atuar durante um ano no futebol italiano. A Juventus, por sua vez, não demonstrou grandes preocupações, é claro, com exceção do fato de ter de ficar o resto do ano sem o jogador. Sabendo da pérola que tinham, os italianos não hesitaram em sustentar o craque até que sua situação contratual estivesse em dia.

No ano seguinte, portanto, Ministrinho se destacou no elenco, conquistou a torcida, virou ídolo e, como se não bastasse, o ponta foi o grande maestro da conquista do bicampeonato italiano pelo clube que defendia (1932/1933 – 1933/1934).

Retorno ao futebol brasileiro

Após consagrar-se herói internacional ao longo de quase três temporadas na Juventus, Ministrinho decide sair da Itália rumo ao Brasil, onde pretendia descansar e decidir seu futuro como jogador.

Contudo, Ministrinho não deixou a Itália sem antes receber das mãos de ninguém menos que o“Duce” Benito Mussolini uma medalha de gratidão pelo empenho, dedicação e bravura. Apesar do apelo da gente italiana, que cantava em prosa e verso clamando pela permanência do jogador, Ministrinho se deixou levar pelo coração e em 1934 voltou ao Brasil.

Ao chegar a São Paulo, Ministrinho reencontrou seus velhos companheiros do Palestra Italia e todos os outros amigos que havia feito no mundo do futebol. Em pouco tempo, integrou-se novamente à equipe palestrina, mas, desta vez, não conseguiu ajudar o time com a mesma intensidade de antes. Ministrinho sofrera algumas lesões ao longo da carreira e pretendia mesmo fazer exibições nos gramados, incentivar moralmente os companheiros e mostrar um pouco de suas habilidades com a bola nos pés.

Nesta segunda passagem pelo time esmeraldino, entre 1934 e 1935, Ministrinho entrou em campo apenas 7 vezes, acumulando 2 vitórias, 4 empates e 1 derrota. Não marcou gols.

No total, Ministrinho obteve três passagens pelo Palestra Italia – a derradeira aconteceu em 1941, onde permaneceu no clube esmeraldino até 1943. Antes de 1941, o jogador atuou pela Portuguesa de Desportos (1935) e depois por São Paulo (1936 a 1939).

Final de carreira e despedida

Prestes a completar 34 anos, Ministrinho resolveu pendurar as chuteiras de uma vez por todas, no mesmo lugar onde tudo começou. Em sua última passagem pelo Palestra/Palmeiras (1941 – 1943), o maestro atuou 17 vezes, obtendo 11 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, balançando as redes adversárias 3 vezes.

A última partida de Pedro Sernagiotto pelo Palmeiras aconteceu no dia 14 de outubro de 1943, no Pacaembu, uma derrota por 2 a 1 contra o Vasco da Gama.

No total, Ministrinho jogou 118 vezes pelo clube, obtendo 72 vitórias, 28 empates e 18 derrotas. Marcou 36 gols.


  • Texto retirado do site do Palmeiras na homenagem de 85 anos de estreia de Mineirinho no Palmeiras.


Estatísticas no Palmeiras

Ano Campeonatos Jogos Gols Marcados Cartões Amarelos Cartões Vermelhos
1929 Paulista
Total 118 36 ? ?
Jogos Vitórias Empates Derrotas
117 72 28 18

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