História do Palmeiras

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História

Diretamente da Europa, mais precisamente da Itália, desembarcaram no Brasil esquadras de Torino e Pro-Vercelli, trazendo um grupo de imigrantes no qual muitos eram apaixonados por um esporte que encantava o mundo: o futebol. Esses homens denominados italianos encantavam multidões com suas exibições com a bola de couro costurada, causando inveja aos jogadores ingleses que já praticavam o esporte no Brasil e até possuíam clubes.

Em 1914 já havia vários clubes italianos na cidade, que tinha 25% da população vinculada à colônia, mas eram todos varzeanos, clubes de operários que praticavam o futebol pelos campos disponíveis da cidade. Nas ligas da elite paulistana desfilavam apenas equipes representantes dos ingleses (como o Mackenzie), escoceses (Scottish Wanderers), alemães (Germânia) e da burguesia da cidade (como Paulistano e São Bento).

Neste ano, a primeira visita de equipes italianas ao Brasil, (simultaneamente a Pró-Vercelli e o Torino), mobilizaram a colônia, que se encheu de orgulho ao ver os campeões italianos enfrentarem imponentemente as equipes da elite paulista. É neste contexto que uma fagulha fomentou a criação de uma equipe que pudesse representar toda a colônia na cidade de São Paulo, um clube que reunisse os vários atletas de origem italiana, espalhados por clubes da cidade, montando uma equipe competitiva capaz de brigar por títulos contra as grandes equipes da elite.

Luigi Cervo, jovem funcionário administrativo das Indústrias Matarazzo (subordinado do Cav. Ernesto Giuliano, pai do Paschoal Giuliano), jogava futebol pelo S.C.Internacional da capital, e foi o principal idealizador. Após reunir vários amigos em torno da idéia, convenceu outro jovem, Vicente Ragognetti, jornalista, poeta e escritor, a se envolver. Anos depois Ragognetti forneceu um depoimento que retrata este momento da gênese palestrina:

"...mandei uma cartinha ao Fanfulla atacando, sempre tive e tenho a mania de atacar alguém, a colônia italiana de S.Paulo então numerosa e barulhenta, pela sua negligencia em não fundar um time de futebol... no dia seguinte o Luigi Cervo, empregado de categoria das Industrias Matarazzo respondia aceitando a proposta. Liderando um grupo de seus colegas de trabalho, e convocava uma reunião para a fundação..."

Confira as publicações no Jornal Fanfulla:

Na vontade de reunir os imigrantes italianos e o amor pelo esporte, em 1914, os italianos Luigi Cervo, Vincenzo Ragogneti, Ezequiel Simone e Luigi Emanuele Marzo fundaram a "Societá Esportiva Palestra Itália", nome dado pelo próprio Luigi Cervo, que já atuava pelo S. C. International aqui no Brasil. "Palestra" vem do gregro Palaistra que significa o local onde se faziam exercícios ginásticos.

A primeira reunião, na quarta-feira 19/08/1914 contou com 37 presenças, e ficou marcada por muita discussão em torno do objetivo primordial do novo clube. Parte dos que estavam presentes queria um clube voltado a atividades artísticas e literárias, enquanto que a maioria queria um clube focado no futebol. Assim, Luigi Cervo e os amigos marcaram nova reunião para a quarta-feira da semana seguinte, 26/08/1914, que acabou ficando formalizada como a data de fundação do clube.

Entre os 46 presentes, fundadores do Palestra Itália, absolutamente nenhum fazia parte ou foi membro do clube Corinthians (como se é falado informalmente). Eram em sua grande maioria moradores do Brás e funcionários das Indústiras Matarazzo, entre eles:

  1. Cervo, Luigi [eleito Secretário-Geral]
  2. Marzo, Luigi Emmanuelle [eleito Vice-Presidente]
  3. Ragognetti, Vicente [eleito Diretor Esportivo]
  4. Simone, Ezequiel [eleito 1º Presidente]
  5. Aulicino, Antonio [eleito vice-secretário]
  6. Cileno, Francesco Vicenzo [inspetor de sala]
  7. Giangrande, Oreste [eleito revisor de contas]
  8. Giannetti, Guido [eleito revisor de contas]
  9. Morelli, Francesco [eleito 2º mestre de sala]
  10. Nipote, Francisco De Vivo [eleito tesoureiro]
  11. Rebucci, Armando [eleito revisor de contas]
  12. Silva, Alvaro F. da [eleito 1º mestre de sala]
  13. Azevedo, Alfonso de
  14. Betti, Delfo
  15. Bucciarelli, Amadeo
  16. Camargo, Francesco
  17. Ciello, Michele A.
  18. Del Ciello, Clementino
  19. Ferré, Fábio
  20. Gallo, Eugenio
  21. Gallucci, Antonio
  22. Giannetti, Giorgio
  23. Giannetti, Giulio
  24. Izzo, Adolfo
  25. Izzo, Alfredo
  26. Izzo, Luigi
  27. Lamacchia, Giovanni
  28. Lilla, Onofrio
  29. Maninni, Battista
  30. Médici, Luigi
  31. Migliori, Alfredo
  32. Mosca, Alfonso
  33. Nigro, Giuseppe
  34. Pareto, Leonardo
  35. Prince, Giuseppe
  36. Rizzo, Vicenzo
  37. Rosario, Luigi M. F.
  38. Romano Filho, Gennaro
  39. Romano, Oreste
  40. Rossi, Giovanni
  41. Russo, Ercole
  42. Tavollaro, Michele
  43. Vaccari, Aughusto

De agosto de 1914 a janeiro de 1915, o Palestra tratou de organizar a sua primeira apresentação para à cidade e a colônia. Foi uma festa, realizada no dia 9 de janeiro, um sábado, nos salões da Germânia (alugada por 300 mil reis) o grande baile de comemoração.

No entanto, a tão esperada estréia do time aconteceu em Votorantim no Campo do Castelo, nas imediações de Sorocaba, na tarde de 24 de janeiro de 1915, contra o S.C Savóia, na época considerado uma das melhores equipes do interior de São Paulo. Após dificuldades com passagens e compra de camisas e calções, o Palestra estreou com vitória, e tudo se superou. Após um primeiro tempo sem gols, o Palestra voltou disposto a vencer a partida, principalmente através das jogadas de Bianco, a estrela do time. E na metade do segundo tempo, em um pênalti cobrado pelo craque, saiu o primeiro gol da história do Palestra e um pouco antes do encerramento da partida, em mais um pênalti a favor, Alegretti determinou o placar final - S. C. Savóia 0 x 2 S. E. Palestra Itália. Stilitano, Bonato e Fúlvio; Pollice, Bianco e Vale; Cavinato, Fischi, Alegretti, Amílcar e Ferre foi a escalação. O juiz foi conhecido sportsman da época, Sílvio Lagreca.

Até 1916, o Palestra só jogou amistosos, e com o apoio da A.A. Palmeiras, consegue se inscrever na Associação Paulista de Esportes Atléticos, que na época dirigia o futebol dos grandes clubes, e estréia em um campeonato dia 13 de maio, no campo da A.A. Palmeiras denominado "Chácara Floresta", contra a A.A. Mackenzie College, empatando em 1 a 1. A escalação foi: Fabrini, Grimaldi e Rico. Fábio II, Bianco e De Biase, Gobbato,Valle II, Vescovini, Bernardini e Cestri.

No ano seguinte, foi realizado o primeiro jogo contra o S. C. Corinthians Paulista. Apesar de toda a tradição que os corintianos já acumulavam na época, o Palestra venceu no primeiro turno por 3 a 0, e o segundo por 3 a 1, chegando às finais do campeonato com o Paulistano em uma partida tumultuada, que acabou por determinar aquele que seria o ano negro da história do clube: 1918. Em 19 de dezembro de 1920, na famosa "Chácara Floresta", o Palestra conquistou o seu primeiro título paulista, justamente contra o temido Paulistano, vencendo por 2 a 1. Martinelli e Matheus marcaram os gols palestrinos.

Um ano depois, a Societá Palestra Itália comprou por 500 contos de réis, uma parte do terreno pertencente companhia Antárctica Paulista, onde contruiu o seu campo com o nome de Palestra Itália. Entre os anos de 1932 e 1936, venceu o campeonato Paulista 4 vezes: Em 1932, 1933, 1934 e em 1936. Vinte e oito anos após sua fundação o Palestra mudára de nome. A mudança do nome de Palestra Itália para Palestra de São Paulo foi definida em reunião do Conselho Deliberativo no dia 17 de março e referendada pelo presidente Italo Adami. Também foi alterado o escudo institucional, saíram o vermelho e a palavra "Itália", a cor amarela passou a ter mais destaque e entrou a inscrição "de S. Paulo". No distintivo usado no uniforme, o "PI" em vermelho deu lugar ao "P" em branco. Mas durou pouco, sob pena de perder seu patrimônio e ser retirado do Campeonato Paulista, o clube se viu obrigado a mudar novamente o nome, então no dia 20 de setembro de 1942 o time passou a se chamar Sociedade Esportiva Palmeiras, devido à pressões sofridas pelo governo brasileiro, que estava em guerra contra os países do Eixo (incluindo a Itália) na II Guerra Mundial.

O sucesso do novo nome veio cedo. Logo no primeiro ano o Palmeiras se tornou Campeão Brasileiro em disputa com o São Paulo. Em 1951 conquistou o Primeiro Mundial Interclubes (Copa Rio), disputando o título com as melhores equipes do mundo, fazendo a final contra a tradicional Juventus de Turín, da Itália. Depois de ter protagonizado apaixonantes duelos contra o Santos de Pelé, na década de 60, o clube venceu três campeonatos Paulistas e dois Brasileirões na década de 70.

Foi então que passou a merecer o apelido de "Academia" pelo futebol técnico e bem jogado que caracterizava suas equipes. Como símbolo daquele time técnico, que jogava um futebol de classe, os palmeirenses elegeram Ademir da Guia, "O Divino". Vindo do Bangu, do Rio de Janeiro, Ademir da Guia chegou ao Palmeiras com 19 anos, tendo a responsabilidade de subistituir o então craque do time: Chinezinho, que acabára de ser negociado com a Fiorentina, da Itália. Nos primeiros dias de clube, Ademir não correspondeu as espectativas. Muito tímido e ainda assustado com a grandiosidade do Palmeiras, o garoto não apareceu. Mas de 1962 a 1984, Ademir foi a maior estrela que brilhou na constelação palmeirense. Tanto que em 1986 o clube ergueu nos jardins do Palestra Itália, um busto em sua homenagem, o maior jogador da hitória da Sociedade Esportiva Palmeiras de todos os tempos.

Porém, as glórias palmeirenses não se restringem apenas ao passado distante. Na década de 90 o time fecha uma parceria com a Parmalat e monta times praticamente imbatíveis. Alex, Edmundo, Evair, César Sampaio, Roberto Carlos, Rivaldo, Flávio Conceição, Djalminha, e muitos outros, levaram o Palmeiras à grandes conquistas nesse período. O bi-Brasileiro em 93 e 94, os marcantes Paulistas de 93, 94 e 96 e as inéditas Copa Mercosul e Copa do Brasil em 98 e a Libertadores em 99, que levou o time a disputa do Mundial contra o Manchester United. A partida foi emocionante e marcada pelos erros de Marcos (que fora atrapalhado pela luz dos refletores ao sair do gol) e do juiz (que anulou um gol legal de Alex alegando impedimento).

Em 2000 o time ficou com o vice-campeonato da Copa Libertadores após ser eliminado pelo Boca e pelo árbitro Ubaldo Aquino, que descaradamente prejudicou a equipe do Palmeiras no jogo em ‘La Bombonera’. Conquistou a Copa dos Campeões no mesmo ano com um time totalmente modificado após o rompimento com a Parmalat.

Em 2002 o pior drama do Palmeiras em todos os tempos. O time foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Foi aí que a torcida mostrou seu fanatismo. Lotou o estádio e empurrou o time, o resultado não poderia ter sido outro: em 2003 o time fez de longe a melhor campanha da Série B, com o melhor ataque, a melhor defesa, o jogador revelação (Lúcio) e o artilheiro (Vagner).

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